Minha incapacidade de me responsabilizar por coisas grandiosas me leva a culpar alguém ou algo por esse fator da minha vida.

A Lua, pra mim, é a maior culpada. Da minha janela, na periferia paulistana, eu raramente a vejo. Mesmo assim, o fato dela estar lá é reconfortante.

Mas quando digo Lua não digo aquele astro mágico e poderoso para os amantes, quando digo Lua não digo o símbolo do mistério.

Quando eu digo lua é a representação de algo solitário. Algo perdido numa imensidão escura, fria e silenciosa.

Mas que é livre acima de tudo. Algo que domina um nada, mas que domina.

Toda noite ela está lá ocupando seu cargo na imensidão. Se está lá é porque é livre, independente. Mesmo em noites curtas de verão. Ela está lá. Quieta. Solitária, dominando seu canto no nada.

O que me faz concluir que eu e a Lua não somos tão diferentes assim.

Texto colaborativo de Lucas Brandão