Muitas são as folhas de papel em branco necessárias para que a história de alguém seja diariamente escrita. Palavras que não se apagam e erros os quais a regressão será caminho inevitável para corrigi-los.

E ele ainda não se conhece. Desentendido quanto ao seu presente, o futuro ainda lhe é apresentado com os olhos vendados e diante dele um caminhar a ser trilhado no escuro.

Por vezes fechado dentro de si, não permite que saibamos quem ele realmente é, seus gostos, sonhos, raivas e desilusões, em que suas poucas convicções giram em torno daquilo que ele diz acreditar. Um restante do que, pouco a pouco, o mundo ainda não lhe tirou.

Serenidade no olhar e um certo encanto pelo simples. O pequeno diante de outras grandes belezas. Saudades do que já passou. Daquilo que viveu e com os quais conviveu. Frias manhãs de inverno. Amores. Os diferentes rumos tomados ao longo da sua vida são histórias e lembranças marcadas na trajetória daquele estranho rapaz.

Havia, dentro dele, alguma inspiração! Ainda consigo me recordar da forma como ele sonhava, escrevia e falava sobre tudo aquilo que mais tarde lhe faria feliz, realizado e renovado de contagiante coragem.

Esconderá, hoje, tristezas ou traumas por questões mal resolvidas? Sofrerá com a aparente solidão escolhida como forma de viver, saudades de casa – da verdadeira casa – ou da rotina que até então o fazia sorrir e parecer alguém feliz?

Talvez o que saibamos sobre ele, aquele pouco que ele já nos permitiu conhecer, seja o suficiente para entendermos essa louca tarefa do viver como um desafio constante, em que as limitadas folhas de papel em branco servirão para que as histórias de cada um sejam escritas e mais tarde contadas.