13 de janeiro de 1989. Sexta feira treze. Dia de azar?

Para aquela criança não!

Eram apenas 7 meses dentro do ventre de sua mãe. Ainda não estava completamente formado. Mas após um grande susto a bolsa rompeu e, ainda prematuro, ele veio ao mundo.

Para os médicos, aquela criança com menos de 2 quilos, não duraria uma semana sequer.

Para seu avô, pai de sua mãe, aquele bebê, não “vingaria”, pois nascera em um dia de azar.

Mas aquele menino foi desejado e amado por seus pais. De fé católica eles recorreram às orações, e em especial à intercessão de Nossa Senhora Aparecida. A qual aquela guerreira mulher consagrou seu filho.

Para surpresa dos médicos, aquela criança sobreviveu. A mãe não podia mais ficar no hospital esperando que a criança passar pelo período proposto pelos médicos em que deveria ficar na incubadora. Pois seu outro filho de 2 anos de idade, já estava ficando doente sem sua presença.

Então em mais um gesto de fé e coragem, assinou um termo de responsabilidade e levou seu filhinho pra casa, mesmo antes do tempo, para ficar sob seus cuidados.

Cuidados que foram suficientes para transformar aquele bebê prematuro, que frágil  e desacreditado do hospital. Que viu o leite de sua mãe secar poucos meses depois de seu nascimento… tornar-se o jovem que neste momento, aos 27 anos de idade escreve este texto.

Nesta semana o Supremo Tribunal Federal decidiu que uma mulher não seria criminalizada por ter abortado. O que causou grandes discussões e manifestações contra e a favor do aborto nas redes sociais.

Eu não sou cientista, nem médico, nem militante político, nem especialista, tão pouco preocupado em ser rotulado por minha opinião.

Não falarei por termos técnicos, científicos ou psicológicos. Não usarei de dados da OMS ou do SUS.

Falo em nome da fé que comungo. Falo afirmando sem medo ou receio, como católico. Que sou integralmente contra o aborto. E sem mais…

Eu lutei para sobreviver, meus pais lutaram por minha vida. Consagraram-me a Nossa Senhora. E mesmo sem que eu me lembre de nada disso, toda vez que os escuto contar a história do meu nascimento, eu sinto todo o amor deles e de Deus por mim. Sinto que viver foi mais do que uma escolha de meu pai ou minha mãe, foi fruto também de minha luta e do Amor incondicional de Deus por mim.

Muitos dizem que a mulher tem o direito de escolher o que fazer com seu corpo. Que ter um filho ou não é escolha dela, independentemente da situação que a levou a engravidar…

Desculpem-me discordar.

Ser mãe não é uma escolha. É muito mais que uma opção. Ser mãe é um dom.

Muitos dizem que é digno que uma mulher não tenha uma criança se não tiver condições de financeiras de sustentá-la.

Desculpem-me novamente discordar. Minha avó teve 14 filhos, e todos estão vivos. E com saúde. Não tiveram luxo, mas também nunca tiveram que comer do lixo. Por que foram amados. E quando um filho é amado, nada falta. O pouco vira muito.

Muitos agora dirão que eram outros tempos.

Agora sim eu concordo. Era realmente um outro tempo.

Era um tempo em que um filho valia mais do que um status, do que um emprego, do que uma projeção social, seu valor era maior do que o egocentrismo. Era mais do que uma escolha.

Dou-lhes um breve testemunho para rebater este argumento de quem coloca nas condições financeiras, motivo para abortar uma criança.

Todos nós estamos sujeitos a passar por crises financeiras, em vários momentos de nossas vidas.

Em minha vida por exemplo, houve um período, em minha casa em que por mais de 1 ano, somente minha mãe trabalhava. Como empregada doméstica. Meu irmão e eu não tínhamos idade para trabalhar, meu pai, com pouco estudo, não conseguia emprego.

Ai eu pergunto, se quando ainda é um feto, uma criança pode ser morta por questões financeiras, por que meus pais não mataram a mim e meu irmão, quando passamos por esta crise? Que diferença faz matar aos 3 meses, ou aos 12 anos? Se o problema não é a criança, mas a falta de dinheiro?

Por que ao invés de constantemente nos dar polenta no almoço e no jantar, meus pais não nos mataram para acabar com o sofrimento deles? Por que ao invés de nos matar meu pai trabalhou até de lixeiro para levar o pão de cada dia para casa? Digo hoje, sem vergonha que meu pai já foi lixeiro um dia. Porque só um pai que ama, se submete a uma profissão tão desvalorizada, ridicularizada, para poder sustentar sua família. Só um pai que ama, vê neste emprego a solução para crise financeira de sua família. E com alegria exerce esta nobre função. Não “abortando” assim,  E não seus filhos.

Sou contra o aborto sim! Sou a favor da vida sim! Sou a favor do nascimento sim!

E para os que veem no aborto a solução para os problemas das mulheres que engravidam sem planejamento, sem possíveis condições psicológicas, familiares, dentre outros problemas, como estupro, por exemplo. Deixo uma reflexão.

Esta mulher pode até não querer criar essa criança que está sendo gerada em seu ventre. Mas como disse no começo, ser mãe não se condiciona ao querer. Mas é um dom.

Dom que nem todas as mulheres possuem. E muitas dessas mulheres esperam anos nas filas das adoções para adotarem uma criança, já que biologicamente não reúnem condições para conceberem uma criança.

Então creio que o grande investimento, e desburocratização que deveria ser feito do ponto de visto social, é a facilidade para se adotar uma criança.

Melhorar as regras e condições para as adoções, que demasiadamente consideram aspectos financeiros para a concretização do processo de adoção.

E por vezes não levando em consideração o amor e a vontade dos pais em quererem adotar, criar e educar uma criança. Isso sim, seria uma boa solução, para as mães que infelizmente decidem não criar seus próprios filhos.

Por fim digo que, jamais a morte será solução para a vida!

O amor é a solução para a vida!

Deus é amor, e Ele é a solução de tudo!

Imagem em destaque: Pixabay