No dia 18 de outubro de 2015, o Estádio do Café era palco de festa. O grito em massa “O TUBARÃO VOLTOU” ecoava pelo alçapão. Os torcedores, alvoroçados, giravam a camiseta azul e branca no alto. Bandeiras alvicelestes erguidas pela arquibancada dançavam no ritmo do vento. Era começo da noite e o placar, fixado próximo ao vestiário, exibia o motivo da alegria. 1 a 0 para o time da casa. O gol de cabeça do zagueiro Luizão contra o Confiança aos 13 minutos do primeiro tempo, foi o responsável pela vitória do Londrina. Ao canto de “É TUBARÃO!”, os jogadores davam a volta olímpica comemorando, junto com os 30 mil torcedores, o acesso para a série B do Brasileirão.

A última vez que jogou a segunda divisão foi em 2004. Com a tão sonhada volta, a cidade ficou agitada. O torcedor, orgulhoso. 2016 começou. O Londrina foi campeão do interior. Mas o foco principal era o Brasileiro. E a equipe se preparou. Não para a vaga do G4. Se preparou para não cair, objetivo principal desde o início do campeonato. O elenco recebeu Keirrison em março. Mas pouco fez. Virou banco do ídolo Itamar. No meio da temporada, negociou três reforços: Filipe Souto, Donato e Marcos Vinícius. Mesmo sem Silvio, lesionado, o objetivo era muito claro. Manter-se na série B.

Muitos acreditavam que o Londrina lutaria para não cair. Julgavam o grupo fraco para disputar a segunda divisão. Teria jogos difíceis pela frente. Enfrentaria times bem estruturados e experientes no campeonato. Mas foram surpreendidos com o resultado do 1º turno. O LEC terminou em 7º com 28 pontos. 7 vitórias, 7 empates e 5 derrotas. Ótima colocação para quem queria fugir da zona de rebaixamento. O receio de cair foi então substituído pela ânsia de subir. E com a volta do 2º turno, o Tubarão manteve os bons e apertados resultados.

Após a vitória de 2 a 1 contra o Vila Nova, no dia 24 de setembro, o  LEC entrou, pela primeira vez, no G4. A briga pela vaga na série A se concretizou. O sonho era possível. Mas uma questão incomodava. O Londrina não conseguia jogar bem em casa. Perdia pontos importantes na tabela empatando e sendo derrotado no Café. Enquanto, fora de casa, trazia, muitas vezes, a vitória com facilidade. Questão que a torcida nunca entendeu.

Apesar disso, na 32ª rodada, a equipe alviceleste teve motivo para comemorar. O Náutico foi derrotado pelo Luverdense e o Bahia empatou com o Oeste. Náutico e Bahia, adversários diretos do Londrina, tropeçaram. Essa era a hora. O Tubarão tinha chances reais de subir. E o melhor: só dependia de si. Faltavam ainda 6 rodadas. 6 partidas decisivas capazes de moldar o futuro do time.

O torcedor acreditava. Já era possível especular o ano de 2017. O Estádio do Café receberia Corinthians, Flamengo e São Paulo. Com a verba da CBF, a diretoria compraria reforços. Montaria uma equipe mais forte. Capaz de jogar a série A e se manter. Estava tudo certo. E para os planos se tornarem realidade, havia apenas uma estratégia: vencer as próximas partidas. Empate não resolveria e perder estava fora de cogitação.

Foi então, que, quando mais precisou, o Tubarão não conseguiu ganhar. Contra o Criciúma, ficou no 1 a 1 fora de casa. Perdeu a chance de colar no Avaí, o então 3º colocado. O resultado não foi bom, mas ainda havia chances. Em seguida, recebeu o Paysandu no Café. Jogando em casa, a obrigação era vencer. O placar final? Mísero 0 a 0. Começou a desapontar. Depois, foi derrotado, também em casa, para o Atlético-GO. A vitória garantiu o acesso para o Dragão e deixou o Londrina mais distante da primeira divisão. 3 jogos e 3 tropeços. O torcedor começou a abrir mão. Ficou decepcionado.

O grito “AH, VAMOS SUBIR TUBA…”, voraz e contagiante, começou a perder força. Caiu da 4ª posição para a 7ª. 5 pontos de diferença com o 4º colocado. Tornara-se quase impossível garantir o acesso à elite do futebol brasileiro. Ganhar os próximos jogos não mudaria nada. Seria preciso também secar os adversários. O sonho de voltar à série A estava, aos poucos, sendo substituído pela conformidade de se manter na série B.

Apesar da vitória surpreendente por 3 a 1 contra o Sampaio Corrêa no Maranhão, o Londrina perdeu de 1 a 0 para o Avaí, pela 37ª rodada. Um gol foi o necessário para 11 mil torcedores presentes no Estádio do Café darem adeus ao acesso. A vaga no G4 escorregou pelos dedos faltando um jogo para o fim do campeonato.

Impossível negar que o Londrina falhou em alguns momentos. Que não jogou bem em partidas decisivas. E perdeu oportunidades. Mas o time merece ser aplaudido. Aplaudido em pé. A campanha de 2016 na série B do Brasileirão foi excelente para um recém-chegado. O Tubarão manteve uma das suas principais características: a força do setor defensivo. É a defesa menos vazada do campeonato. Vai terminar em uma posição considerável. E não caiu, que, acima de tudo, é o que importa.

A temporada serviu de aprendizado. E o Londrina precisava da experiência de jogar com pontos corridos. Sem mata-mata. O objetivo inicial e principal foi alcançado. O time manteve distância da zona de rebaixamento. Subir seria perfeito, claro. Mas se manter, reforçar o elenco e chegar mais forte para o campeonato em 2017 é uma ótima opção também. Já que esse ano não deu, quem sabe no ano que vem?

(Foto: Robson Vilela)