Mais uma manhã cinzenta.

Não que esteja o céu nublado.

São seus olhos que por hora são incapazes de enxergar o colorido do dia.

Em seu olhar ainda habita, os resquícios da noite mal dormida.

Das lágrimas doloridas, do desespero de sua alma.

 

Da alma que peleja em um corpo cansado, por vezes desmotivado, pelas intempéries da vida.

Vida que é movida pelo ócio, de quem vive o divórcio do último emprego que teve.

Esperançoso vai de porta em porta, sorridente faz a entrevista.

Mais de uma semana e nem te liga, outra porta que não se abriu.

E o sorriso que no rosto existiu, dá lugar à desesperança.

 

Mas logo a fé se renova.

Um abraço, um ombro, um choro, uma oração, um breve consolo.

E novamente está de pé, e seja o que Deus quiser.

Está pronto para tentar de novo.

E o olhar da manhã purulento, é levado embora com o vento.

 

Da brisa que bate em seu rosto, levando embora o desgosto.

De mais um dia desempregado.

E se o céu continua cinzento, se ainda há farelo de dor.

Sua fé é seu lápis de cor, capaz do dia colorir.

Não há mal que possa resistir, a um toque divino do amor.

 

Ainda que as portas continuem fechadas, sua alma está renovada.

Fé e amor são os ingredientes, que o fazem seguir em frente.

Em busca de um novo emprego.

E ainda pode demorar, mas quando ele o encontrar.

Não haverá mais um dia cinzento!

 

Imagem destacada: Blog – Blogueiras Unidas