No final da temporada de 2015, o técnico do Santos, Dorival Júnior, priorizou buscar a vaga na Libertadores pela Copa do Brasil, abrindo mão do G4 no Campeonato Brasileiro. O resultado todos sabem. No dia 2 de dezembro, a decisão da Copa do Brasil foi para os pênaltis. O Santos viu a taça escorregar pelos dedos após a cobrança decisiva, que veio dos pés de Fernando Prass. O gol deu a vitória ao Palmeiras, fazendo do Allianz Parque um palco de festa.

Sem a taça almejada, o Peixe também não conseguiu terminar no G4 do Brasileirão. Havia colocado todas as suas forças na Copa do Brasil. Fora da Libertadores de 2016, a torcida alvinegra se enfureceu. E com razão. Em um determinado momento, o Santos tinha dois possíveis caminhos para garantir a vaga na Libertadores. A confiança pela classificação era extrema. Além do time bem estruturado, vinha de bons resultados. Mas, apesar dos dados favoráveis, os santistas viram a vaga ir por água abaixo.

Mesmo sem a desejada classificação, Dorival continuou no comando do Santos. E atualmente, se vê no mesmo dilema que há um ano. O treinador já se manifestou. Disse que não sabe ainda qual atitude tomar. Afirmou que quem tiver condições de jogar, vai jogar. Mas não irá colocar jogadores desgastados em campo. Provavelmente está receoso. Não quer perder a chance como ano passado. Ninguém quer.

No Brasileirão, o Santos está em 4º com 55 pontos. Porém, a torcida é exigente. Mesmo com o recente G6, os santistas dispensam a 4ª, 5ª ou 6ª posição, pois disputariam ainda a pré-Libertadores. O anseio é pela vaga garantida. Não menos que isso. Por outro lado, pela Copa do Brasil, o Peixe encara o Colorado nesta quarta-feira às 19:30, no Beira Rio, pela partida de volta. Além da vantagem de jogar pelo empate, o Inter vai preservar alguns titulares, já que tem como prioridade lutar contra o rebaixamento no Brasileirão. Se o Santos ganhar, avança às semifinais.

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Foto: CBF

Ao que tudo indica, Dorival Júnior não arriscará jogar com o time B em nenhum dos campeonatos. Talvez escale um misto caso alguém precise ser poupado. Até porque o alvinegro tem, assim como no ano passado, uma equipe bem estruturada. Alguns jogadores são vistos como essenciais, outros, vêm se destacando. O meio de campo é reforçado. Lucas Lima, o maestro e Vitor Bueno, recém-recuperado de uma lesão, considerado revelação do time; Copete têm ganhado o carisma da torcida diante seu bom desempenho; Vanderlei é o responsável pelos milagres na defesa; Renato é o jogador chave; Zeca mantém uma forte marcação sobre o adversário.

Caso o Santos se classifique para a semifinal da Copa do Brasil nesta quarta-feira, restarão 4 jogos para levantar a taça e garantir a vaga na Libertadores de 2017. Enquanto no Brasileirão, ainda restam 7 rodadas, sendo 3 jogos dentro de casa e 4 fora. A partir de hoje, são decisões. Por um lado, possíveis semifinal e final. É imprescindível entrar com força total. Por outro, resultados que podem fazer a diferença. Os pontos que o Santos deixar de acumular podem deixá-lo fora do G3.

Teoricamente, o caminho mais fácil seria investir no Brasileirão. Com a atual 4ª posição, se o Peixe continuasse a boa campanha poderia subir 1 ou, até mesmo, 2 colocações. Mas abrir mão da Copa do Brasil está fora de cogitação. Significaria desistir de um título. O Santos tem então dois caminhos para garantir a vaga para a Libertadores.

E a tática para atingir o objetivo é manter o equilíbrio. É inaceitável priorizar alguma das competições e acabar como ano passado. Todos sabem que são semanas exaustivas. Conciliar viagens, treinos e partidas decisivas é um desafio. Mas o alvinegro praiano não pode perder mais uma oportunidade de ficar fora da Libertadores. A torcida cobra a classificação. Apesar das duras críticas diante do empate com os reservas do Grêmio no último domingo, o Santos tem a confiança da torcida. E Dorival Júnior tem feito um bom trabalho. Se souber utilizar as peças que tem em mãos a seu favor, quem sabe não consiga, além da vaga no G3, fazer do Santos, bicampeão da Copa do Brasil?

Crédito da foto destacada: Ricardo Saibun/Divulgação Santos FC