Números de estupros no Paraná já fazem do estado o terceiro com mais casos registrados do país. Mas, ainda são apenas números.

Na manhã da última quinta-feira (20), uma mulher de 29 anos foi estuprada, na frente da filha. O crime ocorreu em Arapongas durante assalto à casa da vítima. 

Em Adrianópolis, região de Curitiba, jovem de 13 anos sofreu estupro coletivo. Cinco pessoas, incluindo a tia da jovem, foram presas suspeitas pelo crime. O estupro ocorreu na madrugada da última terça feira (21).

Uma mulher de 54 anos foi estuprada três vezes em uma mesma noite. O crime ocorreu em julho, na região de Curitiba. Um vizinho da vítima foi preso acusado pelo estupro e confessou o crime.

No dia 23 de junho, um homem de 45 anos foi acusado pelo crime de estupro a um menino de 14 anos, que sofre de deficiência intelectual. O crime ocorreu em abril desse ano na cidade de Campina Grande do Sul, região metropolitana de Curitiba. Na época, o homem ficou responsável por cuidar da vítima, que é sobrinho do seu companheiro.

Uma mulher, com saúde debilitada, registrou denúncia contra o próprio marido por estupro e agressão, em Jesuítas, região Oeste do Paraná. Os abusos teriam ocorrido enquanto a vítima estava acamada. De acordo com a mulher, o marido ainda dizia que “esse é o papel da esposa dentro do casamento”.

Essas ocorrências, todas do Paraná, são números mínimos entre as estatísticas registradas. Repito: das estatísticas registradas. Com exceção das centenas de outros casos que não chegam ao público. Alguns não denunciados. A maioria silenciados.

As crianças, jovens e mulheres dos exemplos citados, estão entre 1.307 casos denunciados apenas no primeiro semestre de 2016, no Paraná. No ano passado, 4.119 denúncias foram registradas pelas delegacias. Números que colocam o estado como o terceiro com mais casos de estupro no país.

Trata-se de uma realidade cruel. Assustadora. Em que o povo brasileiro: acolhedor, feliz e esperanço, prefere fingir que não existe. Crimes que tem se transformado em números. Estatísticas. Percentuais, apenas.

A ausência do Estado, segurança e a falta de impunidade agravam a situação. Mas não substituem a ausência maior do entendimento, compreensão e lucidez das pessoas diante de tal realidade.

As marcas, deixadas na vítima de um estupro, não são apenas físicas e emocionais. São também sociais. Casos naturalizados. Notícias habituais. Crimes comuns. De criminosos defendidos. Inocentados. Legitimados pela própria sociedade. De vítimas julgadas. Condenadas. Esquecidas.

Crimes justificáveis. De um lugar errado. A hora errada. Da veste vulgar. Música imprópria. Do homem errado. A escolha infeliz. Da ausência dos mandamentos, bondoso Deus. Da vida desregrada. Do pecado.

Crimes de um culpado: a vítima.

(imagem: http://varelanoticias.com.br)