Substantivo feminino.

Abstinência completa dos prazeres do amor, abstenção dos prazeres carnais e de tudo que a eles se refere. Característica de uma coisa casta, pura.

Segundo o dicionário, tudo isso é castidade. Para quem a vive, porém, castidade vai muito além dessas definições.

Castidade, além de ser uma demonstração de autocontrole da pessoa sobre seus apetites carnais, sexuais e libidinosos, trata-se também da manifestação plena e santa da sexualidade em seu caráter original. Em outras palavras, a castidade devolve ou preserva a quem a pratica, a dignidade, paz interior, temperança e a pureza na vivência dos valores da sexualidade, devolvendo à sexualidade sua sacralidade, corrompida pelos valores atuais disseminados sobre a prática sexual na sociedade.

Vivemos em tempos em que esperar, seja pelo que for, tem se tornado um exercício dos mais sacrificantes. O desenvolvimento das tecnologias, em seus mais amplos aspectos, embora nos traga imensuráveis benefícios, por outro lado, têm retirado de nós, pouco a pouco, nossa capacidade de sermos pacientes. Tudo tem sido criado e desenvolvido para acelerar nossas comunicações, e otimizar nosso tempo. Em uma busca desenfreada por satisfazer as necessidades humanas antes mesmo que elas se manifestem como necessidades. Com isso, nosso caráter humano tem se desfigurado por esta espiral de satisfação instantânea e estamos cada vez mais nos assemelhando aos outros animais, especialmente aos selvagens que agem instintivamente.

Se esperar os três minutos de cozimento do macarrão instantâneo, o minuto até o download de uma música, os quinze segundos até a resposta chegar pelo wathsapp, têm sido, para nossa geração, sinônimos de eternidade, imaginemos então falar da espera na castidade entre um casal de namorados. Falar de uma espera que pode durar anos até que o sacramento do matrimônio dê a eles o sim para a vivência sexual.

O grande problema que envolve a discussão deste assunto entre os enamorados de hoje, é que se associa a castidade, somente a deveres, restrições e proibições. Porém esquece-se de comunicar aos casais que o principal caminho para se dizer um  “não ao pecado”, é o caminho do “sim” a Deus. Ou seja, a melhor forma de viver a castidade hoje em dia, retirando-a do conceito utópico, é vivê-la a partir do que se pode fazer, e não do que não pode.

Para viver a castidade em um namoro santo é necessário primeiramente uma busca singular do homem e da mulher por Deus e seus ensinamentos. Vida de oração e contemplação que, começando em si próprios, reverbera na relação com o outro.

É de suma importância que os dois estejam decididos a viver o namoro de forma casta, já que os desafios desta vivência implicará uma ajuda mútua entre os dois. O amor é recíproco, e como a castidade é uma virtude fruto do amor, esta também deve ser vivida na reciprocidade.

Além da vida de oração, a principal arma para viver a castidade é o diálogo. Diálogo que leva a uma profunda intimidade.

Conhecer o outro, seus gostos, suas qualidades, defeitos, é o exercício que leva o casal à verdadeira intimidade. A cor preferida, a comida predileta, a sobremesa que lhe dá água na boca. A conversa entre o casal os leva a compreender um ao outro de forma íntima. Os leva a experimentar uma gota do amor ágape, próprio de Deus, que só pode ser experimentado, quando, assim como Deus, ama-se o outro em sua plenitude, sem impor-lhe condições e sem interesses em troca. É quando o amor deixa de ser pautado pela paixão que cega e torna-se uma decisão também consciente e racional de escolher pelo outro, considerando e conhecendo seus defeitos e qualidades, seus medos e seus sonhos. Respeitando sua semelhança a Deus e seu corpo como templo do Espírito Santo.

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Crédito: Comunidade Católica Shalom

 

Quantas pessoas vivem frustradas por relações que não deram certo por falta da vivência destes valores?

Quantas vezes as mãos já percorreram todas as curvas do corpo do amado(a) mas jamais folhearam seu álbum de família?

Quantos namorados conhecem cada centímetro do corpo um do outro, mas não sabem o número do sapato, da calça ou da blusa na hora de trocarem presentes?

Quantos casais conhecem o sabor do corpo um do outro, mas não sabem o sabor de sorvete que o cada um gosta, se é de morango, chocolate ou flocos?

Quantos dizem que seus problemas resolvem na cama, mas não são capazes de decifrar no olhar nos olhos o que aflige o coração do parceiro?

Você pode estar se perguntando: e quem não é mais virgem pode viver a castidade?

A resposta é sim!

A castidade é uma proposta que depende simples e exclusivamente de uma decisão diária.

Portanto, hoje, agora, qualquer um pode se decidir pela castidade que está estritamente ligada a santidade. Basta recorrer ao auxílio de Deus que é rico em misericórdia e provedor da graça desta vivência. Ele dá força, coragem e paciência para o exercício diário da castidade.

Há quem diga que a religião, especialmente a católica condena o ato sexual, dando a ele caráter proibitivo.

Mas não é assim.

Tanto não é assim, que a igreja nos ensina que o ato sexual é tão sagrado que poderia ser feito por um casal depois do matrimônio até mesmo em cima do altar onde é oferecido o corpo e sangue de Cristo na eucaristia.

A Igreja Católica não condena a relação sexual.

O que a igreja condena é a vivência dessa que é a maior expressão de amor entre um homem e uma mulher, de forma promíscua, descompromissada. Fora do matrimônio. Matrimônio que propicia ao casal a vivência dos aspectos unitivo e procriativo do sexo.

Para a igreja, o sexo é muito mais do que o encontro de dois corpos movidos pela paixão.

Sexo é o encontro de dois corpos e duas almas, que na concepção do ato tornam-se um só corpo e uma só alma, sob o véu sagrado do casamento.

Portanto, quem busca viver a essência e plenitude do ato sexual, há um caminho certo. Caminho que, como o caule de uma flor, possui espinhos. Mas espinhos que não impedem que apreciemos o perfume e a beleza de cada pétala da rosa. Esse caminho se chama castidade.

Crédito da foto de capa: Blog Sábias Palavras