Nota oficial emitida pelo São Paulo:

“O São Paulo Futebol Clube vem a público manifestar seu veemente repúdio aos episódios de violência ocorridos no entorno do Estádio do Morumbi, após o jogo da última quarta-feira. Inúmeros relatos e imagens de torcedores e autoridades deixam evidente a associação entre os atos lamentáveis e membros identificados como participantes de torcidas organizadas.  

Mesmo sabendo que parte expressiva destes agrupamentos de torcedores é constituída de cidadãos bem intencionados, o São Paulo não compactua, em hipótese alguma, com o comportamento de uma minoria. Nossa intenção é sempre prestigiar o verdadeiro torcedor, apaixonado pelo clube, que merece todo respeito. 

Em nome destes torcedores, o São Paulo formaliza que não vai manter mais nenhum tipo de relação com as torcidas organizadas, em qualquer aspecto. Por fim, fará todos os esforços ao seu alcance, junto com as autoridades competentes, para assegurar que cenas lamentáveis como aquelas não se repitam, em respeito à história do Clube e à paixão dos torcedores.”

Foi assim que o São Paulo anunciou o rompimento com as torcidas organizadas no fim desta sexta-feira (8). O estopim foi a confusão na saída do Morumbi após a derrota de 2 a 0 para o Atlético Nacional (COL) na quarta-feira (6). Em um cenário de guerra, membros da Torcida Independente entraram em conflito com a PM. Os torcedores arremessaram pedras e garrafas e, como forma de tentar conter a violência, a PM revidou com bombas de efeito moral. Alguns torcedores foram encaminhados ao ambulatório. Dois, desacordados. Houve relatos de roubos, tentativas de espancamento e assédio sexual a mulheres.

As brigas envolvendo as torcidas organizadas são comuns em clássicos, mas não se limitam a eles.  A existência das chamadas “torcidas organizadas”é um assunto discutido há muito tempo. O futebol já viu muitas cenas bélicas envolvendo-as. Quem não se lembra da briga na arquibancada da arena Joinville em 2013? Torcedores do Furacão e os do Cruz-Maltinos foram os protagonistas desse episódio violento. Ou ainda, em abril, quando a Mancha Alviverde e a Gaviões da Fiel se confrontaram em frente à estação de trem de São Miguel Paulista, resultando na morte de uma pessoa?

01 - Geraldo Bubniak - Agência Estado
Ato de violência dos atleticanos contra um vascaíno caído (Foto: Marcello Zambrana/AGIF)
03 - corinthians x palmeiras
18 barras de ferro e armas brancas apreendidas pela Polícia no confronto entre Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde (Foto: Marivaldo Oliveira/Código 19/Estadão Conteúdo)

O futebol, acima de tudo, preza pela paz entre os torcedores. É infeliz a realidade de homens com comportamento animal, loucos para guerrear, que fazem de qualquer objeto uma arma em suas mãos. Chutes e socos sem dó. Desmaios. A intervenção da polícia. Tumulto. Famílias. Crianças. Idosos. Pânico. Desespero. Mais tumulto. Feridos. E às vezes, mortes.

É frente a este cenário que o pai ou uma mãe se nega a levar seus filhos para o estádio. As famílias, receosas, substituem uma tarde de domingo no Itaquera, por exemplo, por um sofá e pipoca. Preferem assistir  o jogo em casa. É mais seguro que o estádio. Um local que deveria contar somente com festa e alegria, mas que traz medo aos torcedores. Medo porque as brigas não se limitam somente ao estádio. O pré e o pós jogo também são momentos de tensão.

Os fãs de futebol estão cansados de ver ódio confundido com rivalidade. Quem leva terror ao estádio não deve ser tratado como torcedor. É necessário uma punição severa. O clube, muitas vezes, perde mandos em casa. Mas e os agressores? Cadê? Estes criminosos, que se vestem de torcedores, não representam o futebol. Não representam também o  clube pelo qual fingem que torcem. E não representam, de forma alguma, o fanático por futebol.

O São Paulo fez certo em vir a público e se posicionar diante do ato abominável no Morumbi. Fez mais certo ainda em romper as relações com as organizadas. O que todo fã de futebol espera é que o São Paulo cumpra com o que anunciou. Já que a decisão mostrou respeito com a verdadeira torcida são paulina, que repudiou o episódio da última quarta feira. A decisão também valorizou o espírito do futebol, a união. É uma pena que isso não seja sinônimo da proibição das organizadas nos estádios. Uma pena porque, talvez, essa seja a única solução.

Crédito da foto de capa: (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)